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7.1.22

Não tem como

 

Não há palavras para descrever o quão vazia eu me sinto, o quanto a vida já me arrastou e me cortou as asas e eu desisti de remar contra a maré. Não tem como descrever a vontade imensa que tenho de me perder na imensidão do mar, de ir e não voltar, de desaparecer sem deixar rasto e recomeçar.

Não tem como explicar o que ocorre na minha mente e o que me mata lentamente para que me possam perceber, para que me possam ouvir, para que queiram ouvir. Não tem como dizer em palavras toda a luta interna que eu sigo diariamente para que possa perdurar mais um dia, aguentar mais uma batalha, seguir a história a que nós chamamos vida.

Não tem como existir na plenitude da paz que queremos atingir, nas histórias e esperanças que criamos na nossa cabeça para que possamos ter algo para lutar.

Não tem como pensar que tudo isso serve para algo, que a história vai continuar e que no meio do caos algo bom vai brotar deste solo infértil que insistimos em cultivar.

É estranho, triste, devastador, desgastante, humilhante, e frustrante, mas de vez em quando dá para brotar um pequeno sorriso por um minuto de felicidade que vai ser atropelado sem pensar duas vezes por toda a m**da que se possa imaginar.

Chegamos a um ponto e pensamos não tem como piorar.

Ah mas tem como. E como tem...

Aí a vida vem e volta a nos ensinar que tem sempre como piorar, tem sempre como te humilhar mais, te denegrir mais, te destruir mais.
E o teu corpo aguenta a pancada, fica roxo, mas luta para aguentar, dói, mas luta para aguentar, por vezes quebra e vai ao chão, mas retorna a levantar!

Porém existem pessoas que desistem de tentar, desistem de esperar e mesmo desistem de lutar.

Porque na verdade não tem como aguentar, não tem como apanhar e calar sem se fartar, não tem como continuar com esperança de que vai melhorar. E todo o mundo te diz, "aguenta" "vai sempre melhorar", "tens de ser forte, desistir é para os fracos!". "Tens de fazer, tens de mudar, tens de aguentar, tens de suportar, tens de apanhar e calar, tens de, tens de, tens de …"

Mas no fim sozinha na escuridão do teu quarto pensas, não tem como mais.

Não da mais, não consigo mais, quem me dera desaparecer, quem me dera deixar de existir, ser livre disto tudo e simplesmente quem me dera ter como continuar.

Mas não tem como. E mais uma vez a vida te vai mostrar, tu não és fraca, só não tens mais armas para lutar. E não tem como continuar, aí a vida acaba sempre por ganhar...

7.6.21

Na tela do telemóvel

 O tempo parou!

Dei por mim a pensar nos planos que eu fiz, nos sonhos que eu criei, na dependência emocional que eu intensifiquei cada vez que olhava para ti. Dei por mim a calcular dias, meses, anos, e a calcular a intensidade de tudo o que já vivi. Dei por mim a sentir-me injustiçada por dar tudo de mim, tentar ser melhor no que me pedias e a não conseguir, tentar alcançar o teu pódio para fazer cada vez mais parte de ti, e por todos esses degraus e por todos os contratempos eu me perdi.

Um dia acordei e no meio do caos o tempo parou, fez-se um clique em mim que intensificou mais os meus medos, as minhas inseguranças, as minhas ilusões. Tudo baralhou na minha cabeça e dei por mim a pensar que tudo iria ser perfeito, era só um passo para que o futuro que idealizei comecasse a se construir, contigo, por nós, por ti e por mim.

Errei, de novo errei e voltei ao chão pensando no mais correto e em por sentimentos de lado, a emergi-los nas gavetas profundas da mente onde coloco tudo o que não quero reviver, e fui buscar a pouca esperança que me dizia, resolve este problema que tudo melhorará a seguir!

Errei de novo.

Nada melhorou, eu tornei-me mais fria, mais distante, desliguei muita coisa em mim, mas, havia uma constante ainda em mim. Tu. Os meus planos contigo, o pouco que sorrias fazia-me sonhar de novo, iludir-me de novo, até que mais uma vez o exterior arrastou-me pelo chão. 

"volta de uma vez, deixa de ser burra" diz-me o chão cada vez que tento voar. 

Senti-me mais injustiçada, como é possível eu dar tudo de mim, eu quebrar em tudo o que te incomoda, eu mudar rotinas e hábitos, ignorar pessoas, deixar amizades de lado, dedicar-me só a ti e ao meu profissional, pedir desculpa cada vez que te sentes injustiçado, mas comigo nada funciona assim?!

Comigo eu tenho de engolir, eu tenho de me calar, eu tenho de aceitar, não tens de mudar, não tens de adaptar nada, não tens de evitar nada, não tens de perceber o que me incomoda e deixares de o fazer, porque tu não tens de nada, não tens sequer de pedir desculpa, eu tenho de aceitar se quero ficar contigo, senão, adeus.

Onde isso é justo?!

Cada palavra dessas me incomoda, me humilha, me arrasta pelo chão, me desvaloriza, me magoa, me quebra, me mata e como é possível nem quereres saber?!

Porque tu és o ser que tudo pode e eu valho nada para ser a que não pode nada.

Eu mereço isso?!

Eu mereço aceitar abraços e tudo o que achas certo, mesmo que me magoe e tendo de calar a boca?

Eu mereço falar com alguém e ser julgada, humilhada, mal tratada só porque não es tu?!

Eu mereço isto?

Porque contigo tudo é valido e comigo nada, eu mereço isso? 

Não ligas ao que sinto nem queres saber disso para nada. Não importa se me magoa, não importa se me afasta, só não importa.

Dói e dói tanto que depois de tudo o que aconteceu eu vejo-me cada vez menos importante, cada vez mais sem voz, sem poder sentir, sem me poder incomodar, sem ter opinião, sem ser ouvida, sem ser valorizada, respeitada, e tudo porque nem me dás um pedido de desculpa porque tu é que tens razão?!

Dói saber que preferes matar tudo do que simplesmente admitir que erras e pedir desculpa. 

Dói ver todo o amor que tenho por ti, olhar para o fundo do meu telemóvel, que és tu, e começar a chorar por falta de compreensão, falta de dedicação, de valorização. 

Falta de reciprocidade. 

Sei tudo o que fazes por mim e dou valor a tudo isso, mas tudo o que faz parte da parte emocional de uma relação, aí é a tua falha.

E dói. Dói ainda mais saber que falhas tanto emocionalmente mas não queres essas falhas da minha parte. Dói ver que sabes que erras, sabes onde falhas e respondes-me " não quero saber, só tens de aceitar" 

Dói ver que tudo o que eu faço para ti é nada e tudo o que eu sinto para ti é irrelevante.

Dói ver que o amor que tenho por ti não é o suficiente, a admiração que tenho por ti não é nada para ti, posso não ser a mais romântica a mais querida mas eu olho para ti como se fosses o meu mundo, o meu sonho, tudo o que procurei na minha vida, e tudo isso se ir despedaçando em cima de mim, para quem sente, mata. Dói tanto que eu já nem sei por em palavras o quanto me dói, o quanto quero que nos demos certo e quanto eu percebo que nada valho para ti e só dará certo se eu aceitar tudo o que achas que devo de aceitar sem ter a mesma atitude da tua parte. Sem reciprocidade. 

Dói ver que sabes exatamente onde me doi e é exactamente aí onde me vais magoar.

Dói, eu amo-te mas dói, mata e mói. 

E é aí que o meu tempo parou, no fundo da tela do meu telemóvel onde o amor que me consome é o mesmo que me mata. 

29.1.21

Desintoxicação

Emergi numa sombria plenitude onde todos os meus pensamentos não estavam em conformidade com os meus princípios, e dei por mim a duvidar e repensar em todas as fases da minha vida. Em tudo o que foram decisões e sobre as quais afetaram o meu percurso ou a minha personalidade. Que solo ando eu a plantar para que qualquer coisa seja fertilizada e cresça na minha mente como batatas podres numa quinta de terreno árido? Porém não é isso que eu criei como objetivo, não foi isso que eu idealizei para mim, não me via nesses cenários, sendo positiva, esperançosa, sonhadora, imaginava um caminho diferente traçado e alcançado por mim. 

Mas não foi bem assim que aconteceu. 

Não foi de todo o que eu projetei, mas o primeiro passo para a mudança é a percepção da mesma. 

É a noção de que, para esse solo se tornar saudável temos de podar ervas, pegar no ancinho e limpar os terrenos, torná-los próprios para cultivo. Porém o uso da ferramenta correta é essencial! De que adianta pegar numa pá, abrir buracos, atirar sementes e não termos de todo preparado a terra para o cultivo? 

Rosas não nascem de terrenos minados. 

Funciona da mesma maneira na nossa mente, onde a ferramenta somos nós mesmos. Por vezes um pouco enferrujados mas mesmo assim ainda em condições de manuseio. Temos de nos desenferrujar , colocar as luvas e mãos à obra!

É assim o início da solução. 

Visualizar o problema (interior), preparar a bancada de trabalho para a limpeza do mesmo (curar as feridas, fechar capítulos, arrumar as gavetinhas da nossa cabeça) e plantar novas colheitas, novas ideias, novas atitudes e pensamentos. Plantar saúde mental é de facto se tornar saudável! Vai custar, é demoroso, mas os frutos são bem mais saboros. E aí poderei visualizar e projetar aquilo que eu julgava apropriado para mim. Nunca é tarde para mudar, melhorar, aprimorar e limar as arestas dentro de nós, só assim crescemos e nos permitimos ser quem sempre visualizamos. E devagarinho essa plenitude sombria que me preenche aos poucos é desintoxicada e expulsa da minha mente. 

17.1.21

Triste

É triste, quando as borboletas morrem e parece que toda a ilusão de um futuro é esquecida e apagada da nossa mente. Quando te mostram que o que tu esperas é apenas e meramente um filme na tua cabeça e a vida não é um filme.
Sim, a vida não é um filme.
A vida não costuma ter finais felizes, e a vida trata de mo mostrar constantemente.
Eu perco por ser e por não ser. Por dizer e por não dizer. Por existir e por não existir.
Eu perco.
A vida tem disso.
O que é maioritariamente triste é a maneira como caímos na ilusão de que temos controlo de como a vida pode ser, como as coisas podem correr, e é isso, apenas uma ilusão.
Não percebo como é fácil as pessoas serem frias, distantes, normalizem e banalizarem desgostos, quedas, falhas, e não darem importância a certos detalhes.
Porque na verdade o que importa é detalhes.
Porque na verdade ao que te agarras é a isso, detalhes.
Mas depois vem a vida e mostra-te que os detalhes são nada. Os detalhes são armadilhas.
Armadilhas para a ilusão, armadilhas para te agarrares a esperança que já deveria ter morrido, à força que já não deveria ser imposta em nada.
E tu burra, cais nas armadilhas, cais na falsa esperança de que o filme que tu construiste pode ser por aquele caminho.
Não pode.
Não esperes.
Não tenhas ilusões.
Sonha sim, mas sonha com as coisas certas, as coisas alcançáveis.
Porque a queda é menor se vires alguma luz ao fundo do túnel. 
Ou aprende a esperar cair, aprende a aceitar que vais falhar, não esperes o contrário, espera que tudo dê errado, assim qualquer degrau é uma vitória e não te desiludes com as armadilhas do caminho.
Assim a vida pode ser menos triste. 

19.6.20

O teu conforto

Aceitas um café? pois é não gostas muito disso, mas neste momento deverias de beber um, pois eu tenho uma coisa a dizer que preciso que ouças com atenção. Desde que te conheci que eu ando estranho, o meu corpo anda estranho, os meus pensamentos todos trocados, já nem sei nada, nada sei mesmo. Isto foste tu que me provocas-te, foste tu que ao entrar na minha vida, viras-te ela sem mais nem menos de cabeça para baixo. Talvez seja essa a razão pelo qual ando todo trocado. Quando chegas ao pé de mim, quando vejo esses olhos, o meu corpo estremece como se fosses a minha fraqueza, as borboletas começam-se a revoltar na minha barriga, tudo pára e o tempo congela, tu me despertas!
O teu cheiro, o teu cabelo que te fica perfeito, essas tuas curvas, os teus olhos lindos, esse teu sorriso que é a curva mais bonita do teu corpo, eu amo todo esse teu jeito de ser. Eu gosto de ti, pois é, não é mentira, e disso quero que fiques a perceber. Quero saber se me deixas virar o teu mundo como tu fizes-te com o meu. Se me deixas ser a personagem principal dessa tua peça a que chamas vida. Se me deixas fazer de ti a minha rainha, e a única que eu quero do meu lado. Se me deixas fazer-te sorrir todos os segundos e rir á gargalhada quando estás mal, para te confortar. Se me deixas abraçar-te e sentir o conforto dos teu braços. Se me deixas dar-te um bom dia e tornar cada dia melhor. Se me deixas realizar o meu sonho de te fazer feliz? Quero sentir todas as noites a tua pele, o teu toque a passear pelo meu corpo, pelo meu rosto, os teus beijos, os teus carinhos, deixa te amar, te proteger, cuidar, deixa-me ser teu, só teu!

18.4.20

Demónios

Há dias que os meus demónios não param de me atormentar, e dou por mim a pensar que imperfeitamente nas imperfeições eu acabei por me apaixonar. Dei por mim a imaginar cenários que não se iriam passar, um dia está tudo maravilhoso e no outro tudo vai desabar. Podem-me chamar bipolar, mas eu tanto o quero que até é doente de pensar, mas com certas palavras sinto que o melhor era me afastar. Mas sabem que não mandamos no que sentimos e eu vim a aprender que também não o consigo controlar. Ainda mais difícil é para quem sabe que com a ansiedade terá de lidar. Acabo por ouvir o que o incomoda e faço de tudo para o mudar, no final minto a mim mesma dizendo que me estou a adaptar. Quando na verdade acabo estupidamente a tentar enganar a única pessoa que não posso enganar. No fundo sei que são mudanças e o tento desculpar, "porque é para o meu bem", "porque assim a minha vida só vai melhorar", "porque ele tem razão e numa melhor pessoa é no que me estou a tornar". Mas dói tanto ver que me estou a iludir, e estou a tentar mas não estou a conseguir. Há sempre algo que eu consigo estragar, sempre algo que o vai magoar, e eu sinto-me tão mal porque só o quero fazer feliz e acabo por falhar. Custa, mas não vou desistir de o conquistar. Até que percebi que o estou a magoar a níveis estupidamente simples, devia ser algo básico mas acabo por não me soltar. E custa como nunca viria a sonhar sequer. Não vou desistir, isso nem pensar, mas ao o fazer estou a ser demasiado egoísta para o deixar estar feliz como ele merece estar. E os meus demónios chegam e voltam a me atormentar que ele é bom demais, tudo nele será bom demais para eu ter a sorte de viver o que ele me poderá dar, e gritam nos meus ouvidos, e ecoam na minha cabeça " vocês nunca vão dar certo, ele quer um todo que nunca vais conseguir dar, ele entregasse a 100 por cento, ele é sol, mar, chuva e vento, e tu não te consegues libertar. Nessa brisa que ele vive, saboreia cada momento, vive todo o sentimento sem nunca se deixar abalar, aquele anjo, o seu talento é que mesmo ao relento se consegue esquentar, ergueu o peito e por sinal as suas asas veio a ganhar, e tu com todos os medos, e com o jeito desmedido de estragar vens com delicadeza, essas asas lhe cortar. Ah como é bom o ver feliz e como é mau o desanimar, por sinal serás a razão que o vai fazer afastar." Vejo então que eles podem estar a acertar, custa eu sei, e não sei se ele quererá por mim lutar. E com todo o sofrimento, mesmo gostando a 100 por cento o amor me veio ensinar, que com todo este tempo quem ama só não prende como também aprende a soltar. 

30.11.18

Reflexo

"Nós olhos se refletem a verdade, a mentira, a alegria, a tristeza, o olhar capta a nossa atenção e puxa a nossa energia ... O Olhar por vezes é a única coisa sincera mesmo que a tua expressão física diga o contrário, por olhares nos atraímos,  por olhares nos apaixonamos, por olhares nos descontraímos, por olhares nós nos marcamos. Por isso é que por vezes o olhar fala mais que a boca"

LD.